OUTONO 2021
OUTONO 2021
A estação do outono no Hemisfério Sul começou no dia 21 de março às 6:38 minutos, horário de Brasília. Este dia foi marcado pelo Equinócio de Outono – onde os raios solares incidem por igual nos dois hemisférios.
Esta estação é marcada pela transição do período chuvoso para uma estação seca em grande parte do Brasil. As chuvas começam a diminuir a partir de meados de abril. Os meses de maio e junho são caracterizados por chuvas mais escassas no sudeste e centro oeste brasileiro. Enquanto o mesmo não é válido para as regiões sul e norte do Brasil.
Do ponto de vista da temperatura, a climatologia aponta para um período ameno, tendendo ao frio. Estas condições se fazem notar no centro-sul do Brasil, pois os raios solares vão chegando de forma oblíqua a partir da latitude 10º S.
Na região sul, nota-se incursões mais frequentes de massas polares (principalmente maio em diante), proporcionando o declínio acentuado da temperatura e chances de geadas nas localidades propícias. Enquanto a região sudeste e centro oeste, as temperaturas ficam mais baixas se comparadas com as estações do ano mais quentes. As noites passam ter perda de calor e pouca ou ausência de nebulosidade, tornando-as mais frias. A umidade relativa do ar mais baixas, contribuindo para o declínio noturno das temperaturas. Os dias nestas duas regiões ainda tendem ao calor, mas bem longe do que ocorre na primavera e verão. Um ponto marcante nas regiões sudeste e sul é a presença de nevoeiro. Outra característica da estação é grande amplitude térmica nas regiões sul, sudeste e centro oeste, devido a diminuição da cobertura de nuvens.
O Brasil é um pais tropical em sua maior parte. E a tropicalidade possui uma climatologia diferenciada das características do outono convencional que ocorrem em países de clima temperado. As estações do ano no Brasil não são marcantes. Nas regiões tropicais ressaltam apenas as marcas da distribuição pluviométrica e uma oscilação menor da temperatura. Portanto, há necessidade de se analisar cada estação do ano no Brasil do ponto vista deste componente – tropicalidade.
O outono de 2021 ainda será marcado pela regência do fenômeno La Nina, mesmo que no estágio mais fraco. O Oceano Atlântico Sul pode ter águas superficiais um pouco mais aquecidas que o normal (os modelos aqui são contraditórios). Para o final da estação as perspectivas de neutralidade já serão mais concretas quanto ao ENSO. A resposta da atmosfera em relação ao que acontece no oceano não é imediata. Tivemos uma La Nina fraca tendendo a moderada, mas não impactou de forma considerável o Brasil, devido a outros fatores climáticos ativos no período. A primavera e o verão foi marcado por temperaturas acima da média no Brasil; em certas regiões brasileiras ficaram mais acentuadas, com anomalia positiva em até 3ºC. As precipitações ao longo destas duas estações precedentes foram marcadas por irregularidades, principalmente na primeira metade. A chuvas foram mais generosas a partir de meados de janeiro em diante em parte do Brasil, mas distribuídas de forma irregular espacialmente. Por isso, ainda com a marca do ENSO negativo, podendo resultar em declínio de temperatura nesta estação que está entrando, mas sem tendência para anomalias negativas generalizadas no centro sul, uma vez que a atmosfera está vindo de estágio anômalo positivo do ponto de vista da temperatura. Como a atmosfera responde um pouco depois das mudanças dos oceanos, as chances de temperaturas dentro da média aumentam para o centro-sul do Brasil. A metade norte do centro-oeste e sudeste as temperaturas ainda estarão ligeiramente acima de média, e dentro da média nas porções altas destas duas regiões.
Do ponto de vista da pluviosidade, as chuvas tendem a ficar dentro da média no sul do Brasil e um pouco abaixo da média no centro e sudeste do Brasil. No nordeste podem ocorrer anomalias positivas de chuva no norte da região e litoral da região. No sertão a tendência é para irregularidades. Na região norte, as anomalias positivas de chuva devem ocorrer mais na porção setentrional.
Quanto ao frio no Brasil, existem boas chances de incursões potentes de massas polares a partir da segunda quinzena de abril. O frio no sul será intercalado por veranicos, onde a temperatura passa ter anomalias positivas. Daí uma possibilidade, no balanço geral, de temperaturas e chuvas acompanhando as normais climatológicas. Há chance de geadas nas regiões propícias ao fenômeno (três estados do sul - com maiores chances nas acima de 700 metros desta região).
Elder Miranda Barreto
Climatologista
Abaixo temos as imagens dos modelos climáticos do IRI, COSMOS E CFCv2







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